terça-feira, 6 de setembro de 2016

Prazer coletivo

Antigamente, uma relação conjugal era para a vida toda. Casava-se sem estar amando a outra pessoa e aprendia a amá-la com o tempo, ou pelo menos suportá-la, pela sociedade e pela moral e bons costumes.
Então veio a revolução dos costumes da últimas décadas, promovidas pelo cinema e troca de informações pela melhoria dos meios de comunicação cada vez mais ágil e as pessoas começaram a entender que não precisavam seguir as regras ditadas pela sociedade da geração anterior.
Mas ao invés de aproveitar esse viés de liberdade, a sociedade tem invertido seus valores e perdido seu rumo.
Por esta falta de referências, as piedosas desaprenderam a amar coletivamente e o individualismo domina o pensamento coletivo atual.
Muitas pessoas ainda buscam sua felicidade e realização numa relação amorosa com uma única pessoa, assim como existem degenerados que praticam o pensamento de que ninguém é de ninguém e que podem se relacionar intimamente quem quiser no momento em que tem vontade. É comum se admitir amor verdadeiro só de mãe e, para alguns, nem isso mais existe.
Mas eu não concordo com este pensamento e estou na contramão desde senso comum. Hoje em dia já não sinto mais prazer em estar com uma única pessoa, seja ela quem for.
Meu prazer está em estar com mais de uma pessoa. Quando estou com mais de uma pessoa no mesmo momento, sinto uma alegria e uma motivação indescritível, é nesse momento que minha criatividade se manifesta mais acentuadamente.
Isso chega a ser contraditório nos dia de hoje, quando se impera o individualismo e a desconfiança em outro ser humano.
Já dei capacitação profissional e foi muito prazeroso doar conhecimento para olhares atentos e mentes ávidas em aprender o que eu tinha a ensinar. Deixar um registro de nossa passagem por esta existência considero mais importante do que viver alegrias vazias e momentâneas.
Hoje em dia não troco uma reunião social agradável por um encontro a dois. Na coletividade a troca de informações é mais intensa do que na individualidade. O que se diz a dois se perde ali, mas em grupo o que de diz se multiplica.
Numa época dominada pelo individualismo, pensar como penso chega a ser solitário, pois basta dar um pouco de atenção a alguém, para que esta outra pessoa já queira tomar posse e dominar seu objeto de desejo que lhe traz uma sensação de paz e segurança.
Alguns chamam isso de amor, mas nada mais é do que paixão associada ao medo de perder aquilo que nem lhe pertence. A verdadeira paz se encontra no amor e para isso tem que se doar gratuitamente sem esperar nada em troca, apenas pelo prazer de servir a um propósito maior.
Assim como já acredito que o motivo de um casal estar junto não seja o medo de estar só ou a busca pelo prazer carnal, mas o que une um casal deva ser a afinidade de ideias e convergência de interesses numa mesma direção, quando a soma desses interesses fica maior que esta relação a dois e envolve outras pessoas.

Nenhum comentário: