domingo, 19 de fevereiro de 2017

Oportunidade de conviver

Por mais difíceis e indecifráveis que as pessoas possam parecer ser, quem conhece a si mesmo conhece ao seu semelhante. O que vemos e sentimos pelos outros nada mais é do que um reflexo de nossos sentimentos e crenças e nos mesmos. Se vemos nossos semelhantes como pessoas más e indignas de confiança, mas verdade estamos descrevendo a nos mesmos.
Não percebemos o quanto somos condicionados e limitados pela crenças que recebemos da sociedade desde a nossa infância. Os exemplos que tivemos desde cedo tem influência em nossa visão de mundo por dezenas de anos. Nossos pais e mestres receberam informações deturpadas a respeito do mundo e nos passaram essas informações como dogmas ou verdades absolutas ou incontestáveis. Eles são tão vítima quanto nós, mas em algum momento alguém tem que quebrar este círculo de ignorância e ver a verdade sem influências externas, senão o mal se perpetuará na sociedade.
Alguns culpam os próprios pais, outros culpam o demônio por tudo que ocorre de errado, e mais recentemente, na internet, fala-se muito sobre teorias da conspiração e uma Nova Ordem Mundial de um governo único, destruindo o conceito de famílias e abolindo as religiões. As guerras e corrupções seriam uma manobra para desestabilizar os governos e preparar este unificação mundial.
Não dá pra detalhar cada uma destas correntes de pensamento sem transformar este artigo em um livro, pois são inúmeros os argumentos. Mas nenhum deles foca a responsabilidade de cada um em seus próprios atos. É como se as pessoas fossem incapazes de distinguir o bem do mal e isso a isentasse de responsabilidade pelo que fazem.
Todos somos responsáveis pelo que fazemos, e a partir da idade adulta temos que rever tudo que aprendemos e iniciar um processo intenso de mudanças para sair deste circulo de manipulação e ignorância.
Aproveito cada oportunidade para expressar o erros sinto, avaliar e aprender com estes resultados. Trabalho com pessoas e, pra mim, tem sido fundamental para meu desenvolvimento pessoal. Não tenho como escapar do contato diário os outras ideias e sentimentos alheios. São pessoas preocupadas com seu dinheiro escasso, com suas famílias, fidelidade, algumas revoltas com a vida que tem, outros revoltadas ou desiludidas com o governo ou com seus superiores hierárquicos. Tem muitas pessoas que acham este ambiente hostil, mas isso é o ponto de vista de cada um.
Para mim, lidar com pessoas é oportunidade de aprendizado e crescimento, em qualquer que seja a situação. Quando nada acontece e está tudo monótono, agito um pouco o ambiente ea reações sai logo desproporcionais, mas sei que provoco sentimentos e mexo com crenças profundas das pessoas e isso lhes deixam inseguras, pra nem elas mesmas sabem o que realmente querem.
Tenho aproveitado a oportunidade que tenho em meu trabalho para rever minhas próprias atitudes diante das reações dos outros. Melhorando meu modo de me expressar, incluindo meu tom de voz e o modo que exponho   minha ideias. Tenho procurado ser uma pessoa mais flexível nas ideias e não pensar que detenho o poder de ter a verdade absoluta.
Mesmo assim, não troco o contato humano por nada. Por isso que o ciúme não tem espaço em minha vida. Não há como ter experiências enriquecedoras com uma relação claustrofóbica em que uma pessoa olha para outra e nada mais, e a presença e terceiros logo é vista como uma ameaça a fidelidade de um dos parceiros. Uma relação deve ser libertadora e não nos prender a padrões rígidos de fidelidade que nada mais são só que uma prova da insegurança na própria relação.
Toda relação que  aprisiona iniciou-se pela vontade da pessoa em ter o que não era dela, mas o desejo de ter alguém inapropriado falou mais alto que a razão de renunciar a um desejo passageiro. 

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