segunda-feira, 10 de abril de 2017

Pura filosofia quase poética

"O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada, pois cada um pensa estar tão bem provido dele, que mesmo os que são mais difíceis de se contentar em qualquer outra coisa não costumam desejar tê-lo mais do que o tem. E não é verosímil equipe todos se enganem a tal respeito; mas isso antes testemunha que o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o quis se denomina o bem senso ou razão, é naturalmente igual a todos os seres humanos; e, destarte, que a diversidade de nossas opiniões não provém do fato de serem uns mais racionais do que os outros, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por vias diversas e não considerarmos as mesmas coisas. Pois não é  o suficiente ter o espírito bom, mas o principal é aplica-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, tanto quanto das maiores virtudes, e só os que andam muito lentamente podem avançar muito mais, se seguirem dele o mesmo caminho reto, do que aqueles que correm e dele as distanciam". (DISCURSO DO MÉTODO, I parte)
Quantas verdades em poucas linhas. Todos pensam e estado tão satisfeitos com suas próprias razões que não sentem falta de somar nada a elas. Mas a variedade opiniões não demonstra simplesmente que uma pessoa seja mais racional que outra, apenas que tem pontos de vista diferentes e valorizam aspectos diferentes de um mesmo assunto.
Tem-se a crença geral de que pessoas consideradas boas sejam incapazes de fazerem o mal. Contudo, são a mais capazes de fazerem crueldades. Fazer o mal ou fazer o bem é uma questão de escolha. Pessoas virtuosas escolheram fazer o bem, e lutam e para não fazerem o mal ou cometerem pecados.
E de nada adianta se apressar para alcançar algo e fazer bobagens, do que permanecer paciente e aguardar o momento certo para alcançar o que deseja. Como diz um ditado popular: "Apressado come cru".
 

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